O céu de Porto Alegre


Carlos Sampaio

1º Esquadrão
1º Pelotão
1976



 

Escrevo para encarar o tempo. Confesso que não tenho coragem para debelar a diferença enorme que existe entre o “eu” de ontem com o possível “eu” de hoje. Mas, creiam-me, essas diferenças é que me fizeram diferentes na medida em que as diretrizes da vida foram assumindo certas coreografias que me deixaram capazes de analisar determinadas questões, até então, impossíveis de serem analisadas concretamente. Uma delas: O amor.

Quem analisou corretamente essa questão delicada chegando a alguma conclusão?

Não quero esgotar o tema, muitos estarão a meu favor, outros nem tantos, e finalmente, alguns dirão que estou querendo, pelo menos, nesse momento, tentando de alguma forma, influenciar aos meus semelhantes, aliás, vocês que estarão me lendo, terá de mim uma situação nova: Julgo ou não julgo a quem me dediquei a ler nesses minutos da minha vida?

Pergunto: Se vieram até aqui, continuem.

Mas juro, de mãos juntas, que não quero fazer filantropia, pelo menos nesse instante.

Por fim, agora, quero dizer que novamente estou escrevendo para falar do meu interior, de tudo ali que se desenvolveu e floresceu magnificamente. Enquanto estou escrevendo sinto-me muito próximos de vocês, apreciando o céu de Porto Alegre, essa cidade que é capital do Estado na qual tanto amo e, que, por ele morro se possível acontecer. Essa capital me faz lembrar os meus amigos, alguns em lugares distantes, alguns partiram para nunca mais voltarem e outros, Deus os requisitou para que ficassem perto D’ele.

O céu de Porto Alegre me encanta, traz alegrias, traz sonhos, me devolve algumas brincadeiras de criança, me desenvolve a mesma paixão quando tive pela primeira namoradinha no bairro Bom Fim. A Terezinha, por exemplo, era uma menina sonhadora, aos meus olhos, linda, cantava suaves canções que nos embalava naquelas “velhas tardes de domingo”. Tudo parecia que ia bem. Não foi assim que aconteceu. O pai dela, que era militar, foi transferido para outro Estado. Não foi somente ele que o transferiram. O meu coração também. Depois, por assimilação, não suportava ler, ouvir e a falar a palavra “militar”.

Depois, ao servir a Pátria, não quis seguir carreira com medo de conhecer uma mulher, me apaixonar, me transferirem e ela não querer ir junto. Ia ser demais para o meu coração. Se isso acontecesse juro que me alistaria na Legião dos Estrangeiros.

Dessa me livrei. Preferi ver o céu de Porto Alegre, a “cidade que me traz encantos” diz a velha música que toca no meu MP4.

Então penso que jamais voltarei àqueles dias que, apesar de ter alguns problemas, me trazem doces e maravilhosas recordações.

A minha vida tem sido vibrante e com espaços de tempos divididos entre alegrias e tristezas o que me faz lembrar que tenho realmente conjugado o verbo viver. Hoje para mim é um dia especial pelas lembranças que me acarretam, tão próximo à vocês, tão longe dos nossos dias, repartidos entre sorrisos, divertimentos e muitas aflições contraditórias. Mas sempre com a marca do amor. Um amor entrecortado de conflitos, mas não menos intenso.

O meu coração atualmente, está diferente pelo próprio tempo decorrido que trouxe algumas marcas e muitas demonstrações contraditórias. Mas continuo a ser sonhador, idealístico e escritor compulsivo que vocês costumam ler e se surpreendem em certos momentos de recolhimento e concentração. Muitas vezes me advertia do mundo que se apresentava em contraste com a profundidade de objetivos que achava um tanto excessivo. E temia pela minha sede de viver e pela diversidade de meus pensamentos.

Queria me acalmar recebendo novamente notícias da minha alma e das suas realizações. Dizendo-lhe que amo demais e, depois, morro de saudades e preocupações. O amor é assim, o sentimos muito forte dentro de nós, seja pelos filhos, pela mulher amada, pelo amigo que partiu em busca de melhores dias, e até, pela namoradinha antiga, Depois dessa euforia toda, ficam as preocupações. Encontro-me pelo menos realizado e, ainda, com muita coisa a construir e espero que dê tempo. Sempre penso que não posso deixar de agradecer a Deus, a vida que me deu em um mundo de descobertas que meus olhos visualizavam encantados através do que ensinou e me indicou.

Quero enfatizar o meu amor que é imenso e que os anos, a vida, os sonhos, as alegrias, as decepções ou qualquer outra espécie de sensação não conseguiram suavizar suas cores fortes e intensas.

Desejo declarar o meu amor, liberto de qualquer empecilho e que nem nos piores momentos sofreu qualquer espécie de modificação.

Se vocês acharam que a minha utopia momentânea dilacerou a minha alma, enganaram-se.

Vendo o céu de Porto Alegre, é “impossível se sentir sozinho”.

(Junho/2011.)